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Notícia

11 de Março, 2019

"Quaresma, tempo para reencontrar a rota da vida", diz Papa

Em tempo quaresmal, Francisco destaca que a oração, caridade e jejum são três investimentos num tesouro que dura

O Papa Francisco presidiu a missa de imposição das Cinzas, na quarta-feira (06), na Basílica de Santa Sabina, no bairro Aventino, em Roma. Antes da missa, o Pontífice guiou a procissão penitencial que iniciou na Igreja de Santo Anselmo, no Aventino, até a Basílica de Santa Sabina.

“Toquem a trombeta em Sião, proclamem um jejum”. Com esse versículo do livro do Profeta Joel, Francisco iniciou sua homilia, sublinhando que a “Quaresma tem início com um som estridente: o som duma trombeta que não acaricia os ouvidos, mas proclama um jejum”, disse.

Despertador da alma

Para o Santo Padre, é um som intenso, que pretende abrandar o ritmo da nossa vida, sempre dominada pela pressa, mas muitas vezes não sabe bem para onde vai. Ele explicou que é um apelo a deter-se para ir ao essencial, a jejuar do supérfluo que distrai. “É um despertador da alma”, frisou o Papa.

Segundo o Pontífice, ao som desse despertador, segue-se a mensagem que o Senhor transmite pela boca do profeta, uma mensagem breve e premente: “Voltem para Mim”.

Rota da vida

Durante a missa, o Papa disse que se as pessoas devem voltar, isso significa que a direção seguida não era justa. “A Quaresma é o tempo para reencontrar a rota da vida. Com efeito, no caminho da vida, como em todos os caminhos, aquilo que verdadeiramente conta é não perder de vista a meta. Quando na viagem o que interessa é ver a paisagem ou parar para comer, não se vai longe”, explicou.

Francisco convidou a cada um a fazer a si mesmo algumas perguntas: “No caminho da vida, procuro a rota? Ou contento-me de viver o dia a dia, pensando apenas em sentir-me bem, resolver alguns problemas e divertir-me um pouco? Qual é a rota? Talvez a busca da saúde, que hoje muitos dizem vir em primeiro lugar, porém, mais cedo ou mais tarde faltará? Porventura a riqueza e o bem-estar? Mas não é para isso que estamos no mundo. Voltem para Mim, diz o Senhor. Para Mim: o Senhor é a meta da nossa viagem no mundo. A rota deve ser ajustada na direção d’Ele”, disse ainda o Papa.

“Hoje, para encontrar a rota, nos é oferecido um sinal: as cinzas na testa”, sublinhou Francisco.

“É um sinal que nos faz pensar no que temos na cabeça. Os nossos pensamentos seguem coisas passageiras, coisas que vão e vêm. As cinzas que receberemos nos dizem, com delicadeza e verdade, que das muitas coisas que temos na cabeça, atrás das quais corremos e nos afadigamos diariamente, não restará nada”, ressaltou o Pontífice.

Cultura da aparência

“As realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens são provisórios, o poder passa, o sucesso declina. A cultura da aparência, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, é um grande engano. Pois é como uma fogueira: uma vez apagada, ficam apenas as cinzas”, frisou.

O Papa disse que a Quaresma é o tempo para as pessoas se libertarem da ilusão de viver correndo atrás da poeira. “Quaresma é redescobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, não para a cinza que imediatamente desaparece; para Deus, não para o mundo; para a eternidade do Céu, não para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, não para a escravidão das coisas. Hoje, podemos nos perguntar: De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?”, alertou.

Esmola, oração e jejum

Segundo Francisco, nessa viagem de retorno ao essencial “o Evangelho propõe três etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem ficção: a esmola, a oração e o jejum”.

“A esmola, a oração e o jejum nos reconduzem às únicas três realidades que não se dissipam. A oração nos une a Deus; a caridade, ao próximo; o jejum, a nós mesmos. Deus, os irmãos, a minha vida: eis as realidades que não terminam no nada e sobre as quais é preciso investir”, afirmou o Santo Padre.

Francisco prosseguiu dizendo que a Quaresma convida a todos a olhar “para o Alto, com a oração”, que liberta de uma vida chata “onde se encontra tempo para si, mas se esquece de Deus”, e depois a olhar “para o outro, com a caridade, que liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas estão bem se para mim tudo vai bem”.

“A Quaresma nos convida ‘a olhar para dentro de nós mesmos, com o jejum, que liberta do apego às coisas, do mundanismo que anestesia o coração. Oração, caridade, jejum: três investimentos num tesouro que dura”, pontuou o Papa.

No encerramento da homilia, o Pontífice destacou que ao longo do caminho da Quaresma, os fiéis devem fixar o olhar no Crucificado. “Jesus na cruz é a bússola da vida que nos orienta para o Céu. Da cruz, Jesus nos ensina a coragem esforçada da renúncia. Precisamos nos libertar dos tentáculos do consumismo e dos laços do egoísmo, do querer sempre mais, do não nos contentarmos nunca, do coração fechado às necessidades do pobre. Jesus, no lenho cruz, nos chama a uma vida inflamada por Ele, que não se perde entre as cinzas do mundo; uma vida que arde de caridade e não se apaga na mediocridade”, concluiu Francisco.


Fonte: Amex, com Vatican News



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