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16 de Outubro, 2018

Papa em homilia: ter cuidado com cristãos que se apresentam como "perfeitos"

Francisco recomendou aos fiéis a estarem atentos aos hipócritas, em discurso desta manhã de terça-feira (16)

Na manhã desta terça-feira, 16, o Santo Papa celebrou a missa na Capela da Casa Santa Marta. O discurso teve referência com base no Evangelho de Lucas. Francisco destacou que “a salvação é um dom do Senhor, Ele nos dá o espírito da liberdade”.

Na passagem do Evangelho de Lucas, o Pontífice narrou o episódio em que Jesus dá uma dura resposta ao fariseu que fica admirado com o fato de que Jesus põe-se à mesa sem ter lavado as mãos antes da refeição, como prescrito pela Lei. O Papa enfatizou a diferença existente entre o amor do povo por Jesus, porque chega aos corações, e também aquele existente de um pouco por interesse, e o ódio dos doutores da Lei, escribas, saduceus, fariseus que o seguiam para pegá-lo em alguma falta, e que na época eram os considerados como os “puros”.

Durante a homilia, Francisco explicou como esses “Homens da Lei”, que se consideravam justos diante à sociedade, não eram fiéis perante a Deus. “Eram realmente um exemplo de formalidade. Mas faltava vida a eles. Eram, por assim dizer, “engomados”. Eram os rígidos. E Jesus conhecia a alma deles. Isto nos escandaliza, porque eles se escandalizavam das coisas que Jesus fazia quando perdoava os pecados, quando curava no sábado. Rasgavam as suas vestes: ‘Oh! Que escândalo! Isto não é de Deus, porque se deve fazer assim’. Eles não se importavam com as pessoas: importava a Lei, as prescrições, os preceitos”, exortou o Papa.

Francisco acrescentou em seu discurso que Jesus aceita o convite do fariseu para o almoço, porque é livre, e vai ter com ele. Ao fariseu, escandalizado pelo seu comportamento, em que Jesus diz “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”.

“Não são palavras bonitas, hein! Jesus falava claro, não era hipócrita. Falava claro. E disse a ele: “Mas por que você olha para o exterior? Olha o que tem dentro”. Outra vez havia dito a eles: “Vocês são sepulcros caiados”. Belo elogio, hein! Belos por fora, todos perfeitos...todos perfeitos... Mas dentro cheios de podridões, ou seja, roubos e maldades, diz. Jesus faz a distinção entre a aparência e a realidade interior. Estes senhores são “os doutores das aparências”: sempre perfeitos, mas dentro, o que há?”, ressaltou Francisco aos fiéis presentes.

Francisco recordou ainda outras passagens do Evangelho em que Jesus condenou estas pessoas, como a parábola do Bom Samaritano ou onde fala de seu modo de jejuar e dar esmolas com ostentação. O Pontífice afirmou, que a esses “Homens da Lei” o que importava era “a aparência”, mas explicou que “Jesus qualifica estas pessoas com uma palavra: ‘hipócrita!’. “Pessoas com uma alma gananciosa, capazes de matar. E capazes de pagar para matar ou caluniar, como se faz hoje. Também hoje se faz assim: se paga para dar más notícias, notícias que sujam os outros”, frisou.

Em sua palavra, Francisco continuou ao dizer que esses “homens” eram pessoas “rígidas”, que não estavam dispostas a mudar. Observou, ainda, que sempre, por trás de uma rigidez, existem problemas, problemas graves. “Por trás das aparências de bom cristão, aparências, hein! Que sempre procura aparecer, de maquiar a alma, existem problemas. Ali não está Jesus. Ali está o espírito do mundo”, ressaltou.

Ao finalizar seu discurso, o Pontífice explicou que Jesus chama os “Homens da Lei” de “insensatos”, aconselhando-os a abrirem sua alma ao amor para que a graça entre. O Papa afirmou que esta é a salvação. “É um dom gratuito de Deus. Ninguém salva a si mesmo, ninguém. Ninguém salva a si mesmo, nem com as práticas destas pessoas”, alertou.

“Tenham cuidado com os rígidos. Tenham cuidado com os cristãos, sejam eles leigos, padres, bispos, que se apresentam como “perfeitos”, rígidos. Tenham cuidado. Não há o Espírito de Deus ali. Falta o espírito da liberdade. E tenhamos cuidado com nós mesmos, porque isso deve nos levar a pensar em nossa vida. Eu procuro olhar somente para as aparências? E não mudo o coração? Não abro o meu coração à oração, à liberdade da oração, à liberdade da esmola, à liberdade das obras de misericórdia?”, concluiu o Santo Padre, ao deixar sua reflexão aos cristãos.


Fonte: Amex, com Vatican News


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